A arte de vender-se a si mesmo

Rafa Llacer · 16 sept 2016
Na era do Personal Branding, gerir a imagem profissional exige criatividade e adaptação. Exemplos como Robby Leonardi e Enzo Vizcaíno mostram novas formas digitais de destacar a identidade profissional no mercado de trabalho.
Encontramo-nos, quer queiramos ou não, imersos na era do Personal Branding. Atualmente, os indivíduos tornaram-se nas suas próprias marcas. A presença física, o rosto e a sua expressão ou o vestuário compõem a sua identidade corporativa; o nome e os apelidos (estudos, experiências, etc.), o naming e o seu descritor. Portanto, cada um atua como a sua própria Agência de Marketing Digital. Como o publicitário que luta para que os objetivos pessoais (os planos de crescimento desta peculiar empresa) sejam comunicados com eficácia e se tornem realidade.
Não se trata de algo novo, mas sim do fortalecimento desta tendência. Antigamente, a qualquer um bastava reunir os seus méritos, organizá-los atendendo à ordem e à importância dos trabalhos realizados, e dispô-los num currículo que lhe servia como arma com a qual poderia encontrar um bom emprego. Para a entrevista, vestia-se com cuidado e apresentava-se com o seu melhor rosto. Não, saber vender-se a si mesmo é uma arte muito antiga. O que é novo reside na crescente concorrência do mercado de trabalho. Obriga-nos a dar uma volta de parafuso a este processo para transmitir quem se é, procurando surpreender quem dirige o processo de seleção de pessoal.
Além disso, outro facto que explica toda esta grande revolução é a incrível democratização das ferramentas e recursos. Até há pouco tempo, eram terreno proibido para o grémio da comunicação. Hoje, sem necessidade de um desembolso económico de infarto, quem quiser pode fazer de uma pequena oficina na sua própria casa. Os smartphones atuam como routers, e fotografam e gravam vídeos com uma qualidade cada vez mais próxima da das câmaras profissionais (cujos preços, por sua vez, continuam em queda livre). Num computador pessoal cabem todo o tipo de instrumentos de design e paginação, de retoque fotográfico, de gestão de redes sociais… Nunca esteve tão ao alcance do comum dos mortais a possibilidade de gerar materiais de uma qualidade profissional, analógicos e digitais, com os quais promover de forma autónoma a sua própria pessoa.

Exemplos de diferentes apresentações de currículos realizadas por três designers gráficos.
Menção à parte merece a comunicação online, a estratégia que aplicamos ao desenvolvimento do nosso cada vez mais sagrado eu digital. O LinkedIn soube posicionar-se como a rede social por excelência da imagem profissional pública. Crescem como cogumelos os sites que atuam como plataformas onde conectar pessoas que procuram trabalho com empresas que oferecem uma vaga. Um exemplo genial e muito divertido de currículo digital é o de Robby Leonardi. Criou uma animação interativa com a qual se promover. Com esta carta de apresentação, é improvável que lhe custasse muito encontrar emprego.

Imagem inicial do currículo interativo de Robby Leonardi.
Os avanços tecnológicos e as mudanças culturais trazem consigo novas ferramentas e técnicas. E implicam a necessidade de uma adaptação constante. Mas as leis desta arte são intemporais. Graças à tomada de consciência de si mesmo, das pessoas a quem se quer transmitir uma determinada impressão. Graças a todo esse conhecimento, adquire-se segurança e não se teme atuar para gerir o rumo deste processo de comunicação. Segurança também não deve ter faltado a Enzo Vizcaíno. Um jovem jornalista que não pensou duas vezes e colocou-se com o seu ukulele no metro de Barcelona. O rapaz superou o milhão de visualizações e atualmente trabalha como argumentista em Crackòvia, o programa da TV3.

Fotograma do currículo em vídeo de Enzo Vizcaíno: Metro Curriculum Vitae.
A partir deste ponto, o caminho é incerto. O que um dia é original e surpreendente, poderia reproduzir-se até à exaustão e tornar-se em recursos gastos. Como o currículo de Leonardi ou o vídeo de Vizcaíno. Pelo menos, assumindo as rédeas desta tarefa. Qualquer um pode ser capaz de ir melhorando a sua própria imagem pessoal. Qualquer um pode fazê-lo conforme o exijam as circunstâncias que marcam os tempos.